Uma das três necessidades básicas do ser humano é ser reconhecido e recompensado. Mais que fato, essa é uma verdade extremamente fácil de ser observada e comprovada.
No meio acadêmico rapidamente nos apercebemos dessa realidade quando vemos, já nas primeiras séries de educação infantil, a acirrada disputa pela mão da professora nas filas ou mesmo para sentarem à frente na classe. Essa mesma percepção acontece também nas séries seguintes. Via de regra, quando mais velhos, os adolescentes trocam o foco de sua necessidade e começam a disputar outras atenções. Mas o intuito é sempre o mesmo: receber a atenção e o reconhecimento que acreditam fazer jus.
No mercado de trabalho encontramos a mesma realidade. Nós, da área de Gestão de Pessoas, frequentemente nos deparamos com colaboradores que buscam apoio para que solicitemos à chefia que deem uma devolutiva sobre seu desempenho. Na verdade essa necessidade de obter a informação sobre seu desempenho já aparece no próprio processo seletivo, quando o, então candidato, aguarda ansiosamente nosso retorno sobre o processo no qual está participando.
Não são raros os casos nos quais vemos o colaborador descontente por questões, muitas vezes, consideradas sem nexo. Não raro também nos deparamos com profissionais que trocam de emprego por acharem que na outra empresa receberão os benefícios, o cuidado, a atenção que merecem.
Quando falamos de estagiários e trainees, essa realidade é ainda mais evidente, pois essa geração de novos profissionais acredita realmente que seus valores devem, obrigatoriamente, ser reconhecidos.
Em pesquisas que abordam a satisfação do trabalhador, sempre aparecem índices estatísticos que reforçam nosso papo de hoje. Os números dizem que 21% dos trabalhadores entrevistados referem que seu descontentamento com o trabalho envolvem fatores de falta de reconhecimento financeiro. Mas uma massa expressiva de 79% das pessoas refere que outras formas de reconhecimento são fatores determinantes para seu descontentamento e consequente saída e/ou troca do emprego atual.
Com esses números também, no meu entendimento, fica claro perceber que o reconhecimento financeiro é pensado, mas não como uma questão primordial. As questões que balizam os relacionamentos interpessoais são muito mais valorizadas pelas pessoas.
Portanto, me parece que medidas focadas nessa demanda, se façam a cada dia mais expressivas, quando o assunto é Gestão de Pessoas. O bom Gestor não deixará seu subordinado sem saber qual rumo tomar. Afinal, “para quem não sabe para aonde está indo, qualquer caminho serve”.
Isso também é muito evidente quando falamos em processos de desligamento. Via de regra, essa é uma ação delegada ao setor de Recursos Humanos, pois os gestores não se sentem confortáveis em conduzir os desligamentos porque, na grande maioria dos casos, deixaram seu comandado sem rumo durante toda a sua permanência na empresa.
Muitas vezes acompanhei gestores desligando seus subordinados com a justificativa de diminuição de produção ou outro motivo não verdadeiro, simplesmente porque não conseguiam balizar o subordinado sobre suas deficiências em relação àquela posição, motivo real desse desligamento.
Essa ação simplesmente não confere com posturas ditas verdadeiras. Se atendermos à essa necessidade básica do Ser Humano, SER RECONHECIDO, certamente o estaremos guiando para uma melhor performance em nossa Organização, e, quem sabe, poderemos reverter um desligamento.
Faz sentido? Vale a reflexão!
Até a próxima!
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